sábado, 9 de dezembro de 2017

Figuras de Tintin #37: Milu meio-demónio

No episódio "Tintin no Tibete", Tintin confia a Milu uma mensagem de socorro para ir buscar ajuda. É uma questão de vida ou de morte e o companheiro de Tintin percebe isso perfeitamente. Assim, com o valioso papel na boca, dirige-se apressadamente ao mosteiro tibetano que o xerpa Tharkey avistou umas horas antes. A determinação de Milu é visível e a sua corrida pelos trilhos escarpados demonstra-o bem. De repente, tudo isso se subverte: um osso enorme, uma tentação perversa e temos Milu enfrentando os seus piores instintos, personificados no demónio vermelho que saiu directamente fo inferno canino.

A referência da figura encontra-se na vinheta D2 da prancha 45 de "Tintin no Tibete".

Figuras de Tintin #37: Milu meio-demónio, livro de 16 pp. + estatueta + passaporte, Moulinsart, distribuição Altaya, 12,99€


sábado, 25 de novembro de 2017

Figuras de Tintin #41: A Castafiore no concerto

Volúvel e muito corpulenta, Bianca Castafiore tem uma personalidade extravagante e umas cordas vocais que fazem estremecer o mais ousado dos melómanos. Não é por acaso que lhe chamam o "rouxinol milanês"! Caprichosa e tirânica, a diva incomoda, irrita ou exaspera, mas não deixa de dominar a sua arte com brio e sabe mostrar-se generosa e leal com os amigos. Uma autêntica vedeta!

A referência da figura encontra-se na vinheta A1 da prancha 38 do episódio "O ceptro de Ottokar"

Figuras de Tintin #41: A Castafiore no concerto, Moulinsart distribuída em Portugal pela Altaya, figura + livro de 16 pp. + passaporte, 12,90€


domingo, 19 de novembro de 2017

Desenho raro de Tintin e Milou vendido por 424 mil euros

Um desenho raro do jovem detective Tintin e do seu cão Milou, desenhado pelo artista belga Georges Prosper Remi – conhecido por Hergé – foi vendido por cerca de 424 mil euros num leilão em Paris, noticia a BBC.

Pelo estilo de tinta e cor utilizados, este desenho, que data de 1939, é uma raridade, daí o seu alto valor para os colecionadores.

Para além deste desenho, no mesmo leilão foi ainda vendida uma tira original do livro ‘The Shooting Star’ ("A estrela misteriosa") por cerca de 297 mil euros. Foram ainda leiloados outros livros do autor, bem como desenhos e rascunhos.

Tintin é uma das personagens de banda desenhada mais famosas mundialmente. Os livros foram traduzidos em 90 línguas e as vendas ultrapassam os 200 milhões. Foi ainda adaptado ao cinema por Steven Spielberg em 2011.

Hergé, que criou a personagem, morreu em 1983, aos 75 anos.

in Notícias ao Minuto

domingo, 5 de novembro de 2017

Figuras de Tintin #39: Filípulus o profeta

A entrega desta semana desta colecção da Moulinsart, distribuída em Portugal pela Altaya, e o profeta Filípulus que intervém num hipotético fim do mundo na aventura "A Estrela Misteriosa".

Filípulus é uma singular personagem coberta com um lençol branco, afirmando ser um profeta anunciador do fim do mundo. Ave de mau agouro, diz ser o único amo depois de Deus e acompanha as suas palavras alarmistas com pancadas no gongo que leva na mão. Mas a sua presença é mais incómoda do que assustadora. Depois de dois funcionários do manicómio o agarrarem, é internado por causa das suas profecias.

O nome de Filípulus é inspirado em Philippe Gérard, amigo de infância de Hergé, que partilhava com ele as aventuras escutistas e o teatro amador.

A referência da figura encontra-se na vinheta D2 da prancha 7 do episódio "A Estrela Misteriosa".  

Figuras de Tintin #39 - Filípulus o profeta, Livro de 16 pp.+estatueta+passaporte, Moulinsart, 12,99€ 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

BD pioneira: "Tintin no país dos sovietes"


A banda desenhada (BD) foi também uma revolução. Não é fácil situar o seu começo, mas há quem diga que foi em 1929. O livro de Hergé era, na Europa, o primeiro de uma história contada apenas com imagens e de diálogos contidos em filacteras. Era contra-revolucionário no conteúdo, mas revolucionava o modo de contar histórias em papel.

A encomenda foi feita pelo abade Norbert Wallez ao desenhador Georges Remi. Wallez era o editor do jornal belga Le Vingtième Siècle e Remi, que se tornou famoso com o pseudónimo Hergé, entrara como editor do suplemento juvenil Petit Vingtième.

O autor nunca esteve na Rússia nem na URSS, e baseou toda a sua narrativa numa única obra, Moscou sans voiles, de Joseph Douillet.

A ideia de Wallez era uma história que mostrasse os malefícios do comunismo, bem na linha ideológica do jornal, simpatizante confesso do fascismo italiano.

O abade, admirador de Mussolini, tinha sobre a mesa de trabalho uma fotografia deste, assinada pelo punho do próprio Duce. O jornal, claramente alinhado, contava entre os seus correspondentes no estrangeiro um certo Léon Degrelle, líder do fascismo belga, também designado como rexismo.

Hergé não encontrou na altura objecções, e fez do livro Tintin no país dos sovietes o primeiro da série As aventuras de Tintin. Vários outros livros subsequentes cantaram sucessivamente os benefícios do colonialismo belga (Tintin no Congo) ou da civilização norte-americana (Tintin nos Estados Unidos), naquilo que para vários críticos era uma linha consistente de propaganda conservadora dirigida a públicos infantis.

A linha mussoliniana e rexista não agradavam inteiramente aos nazis e a ocupação alemã proibiu o jornal do abade. Em seu lugar criou-se um outro, Le Soir, em que Hergé encontrou colocação e trabalho.

Foi nessa época de ocupação que uma empresa alemã tentou negociar com Hergé os direitos de Tintin no país dos sovietes, para utilizar o livro como propaganda anti-soviética. Mas Hergé recusou a proposta.

No fim da Segunda Guerra Mundial, a sobrevivência do jornal Le Soir sob a censura alemã tornou-o suspeito de colaboracionismo e, com ele, Hergé. O cartoonista não foi alvo de nenhum processo, mas sim de várias acusações por esse motivo.

Com o tempo, e não muito, Hergé pôde mesmo ultrapassar o mau nome que lhe deram as acusações. Logo em 1946 fundou ele próprio uma revista de BD, com o nome Tintin, alimentando-se de histórias já publicadas do herói juvenil e do seu cão, Milou, e de outras criadas entretanto.

Hergé renegou entretanto o seu Tintin no país dos sovietes, pelo conteúdo ideológico agressivamente contra-revolucionário, e também pelo carácter primitivo da narrativa, que agrega uma série de episódios avulsos, sem verdadeiro enredo e sem outro fio condutor que não seja a reportagem supostamente encomendada a Tintin por Le Vingtième Siècle.

Esse foi também o motivo pelo qual a história permaneceu sempre a preto e branco, sem ter qualquer nova versão colorida -  até muito depois da morte do autor.

Mas, para uma arqueologia da BD, o livro continua a ser um ponto de referência. Publicado entre 10 de Janeiro de 1929 e 8 de Maio de 1930, ele foi logo republicado a partir de Outubro de 1930 pela revista francesa Cœurs Vaillants. Esgotou-se rapidamente e foi objecto de várias reedições, todas piratas. Só voltou a ter uma reedição legal em 1973, e só neste ano de 2017 o foi, pela primeira vez, em versão colorida.

Entre as cenas emblemáticas, que foram reproduzidas vezes sem conta, está a de uma delegação de comunistas ingleses a quem é mostrada uma área industrial, cheia de actividade atestada pelas suas numerosas chaminés fumegantes. Tintin desconfia que alguma coisa não bate certo e vai investigar mais de perto. Descobre então que há um funcionário encarregado de queimar palha na base das chaminés - a velha tradição russa das "aldeias de Potemkine", todas elas cenário, enfeitado para receber dignitários vindos da capital e para enganá-los com as aparências.

Do mesmo modo, celebrizou-se a cena de uma eleição, de braço no ar, com três listas concorrentes. O comissário que conduz a eleição pergunta se alguém se opõe à lista comunista e, perante o silêncio da assembleia, proclama-a vencedora da eleição, por unanimidade.



Para além da simplificação primitiva em que se baseiam vários episódios do livro, Hergé inovou profundamente a técnica de ilustração, baseando-se na vanguarda da época, a quem aliás sempre prestou tributo. Entre as influências que recolheu conta-se a do cartonista francês Alain Saint-Ogan, ou em geral a da BD norte-americana, atentamente observada pelo próprio Léon Degrelle.

Entre os truques de marketing que o abade Wallez concebeu para explorar o êxito da série, e para potenciá-lo ainda mais, conta-se uma carta fictícia da GPU, o serviço secreto soviético, ameaçando o jornal de que, se não interrompesse a publicação "destes ataques contra os sovietes e contra o proletariado revolucionário da Rússia, encontrará a morte muito em breve".

sábado, 28 de outubro de 2017

Figuras de Tintin #45: Milu com o escafandro lunar

Nesta entrega a figura seleccionada é novamente o inseparável amigo de TintinMilou, que acompanha o herói em todas as suas aventuras, inclusive na ida ao Lua. A referência da miniatura encontra-se na vinheta C4 da prancha 37 do episódio "Explorando a Lua".

Figuras de Tintin #45: Milu com o escafandro lunar, Moulinsart com distribuição pela Altaya, livro de 16 pp.+estatueta+passaporte, 12,99€